Lula Parte 1: E o seu Grande Teatro de Marionetes!

Ricardo V. Malafaia      17/set/2017                                                                                                      

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Foi surpreendente, nos últimos anos, assistir a uma inédita mobilização da sociedade, e a consequente polarização, em torno dos acontecimentos políticos que têm envolvido o nosso país. E essa mobilização não mais tem se restringido aos setores da sociedade com mais acesso às informações. O debate hoje se dá nas conversas de botequim, nas escolas, nas praias, nas redes sociais. E essa conscientização política é muito saudável, e melhor será se tiver vindo pra ficar. Precisávamos disso!

O debate muitas vezes, contudo, carece de informações. Pensamentos opostos acabam duelando no reino das paixões. E convenhamos, a paixão não é exatamente o melhor amigo da razão. A História nos tem ensinado que uma sociedade acaba ficando escrava de suas carências e deficiências, e vez por outra, repete os mesmos erros, tornando-se refém de si mesma.

Às duras penas conseguimos fazer renascer uma Democracia que, embora em vigência institucional plena, ainda não se deixou ser alcançada pelas pessoas mais carentes e marginalizadas da sociedade. Visitando-se as enfermarias de hospitais públicos ou avaliando-se os números de mortes causadas por homicídios, constatamos o quão longe está a nossa democracia de uma grande parte de nossa sociedade.

Diante desta dicotomia, soluções têm sido apresentadas, nas últimas décadas, através de ideologias, pensamentos, religiões, e até de “salvadores da pátria”. A classe política, que tem como principal papel trazer as soluções que acabem, ou pelo menos amenizem, os graves problemas sociais, ruiu. Desfez-se, pois qualquer estrutura apodrecida não se sustenta, desmorona. Essa situação terminal, em parte, deveu-se ao longo tempo que ficou refém do regime militar nos anos 60 e 70. Mas também foi alimentada, nos anos seguintes, pelo total desinteresse político da própria sociedade em fazer depurar essa classe em estado de decomposição avançada. E então, de forma oportuna, em algum momento de um passado recente, um então sindicalista, oriundo das classes menos favorecidas, e iniciando seus passos na política, bradou aos quatro ventos que o Congresso tinha 300 picaretas.

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O seu efeito foi inevitável. Questões como “Enfim alguém falou a verdade!” ou “E se ele conseguir mudar algo?” não saíram de nossas mentes. Mas o Lula era um sujeito bruto, meio mal encarado, com um discurso de esquerda retrógrada, que mereceu até uma carta aberta de Roberto Marinho em 89, chamando-o de “companheiro” e o conclamando a não cair nos discursos vazios da demagogia. Ato contínuo, o destino, desejando dar uma chance a um partido que se dizia reduto da honestidade, resolveu fazer um casamento, porém sem véu e grinalda. Assim, num determinado momento, Lula tomou a mão de seu marqueteiro e ambos disseram “sim”. E bem menos de nove meses depois (o casamento foi feito às pressas), nascia o seu rebento, o “Lulinha Paz e Amor”. Vivas ao casal! Vida longa ao herdeiro!

Neste momento, quando o Lula pai se transformou no seu próprio herdeiro, risonho e conciliador, muitos acreditaram nesta simbiose metamorfósica política-ideológica! Estávamos diante do estadista que necessitávamos! E, precisamente neste momento, teve início a caminhada, possivelmente, do maior manipulador de gente que o nosso país já conheceu!

Em países desenvolvidos como França, Inglaterra, Espanha, Itália e até, nos Estados Unidos, a luta ideológica entre esquerda e direita, ainda nos dias de hoje, encamisada por outras definições, arrasta-se sem vencedores e vencidos. A livre economia e os interesses de classes, por exemplo, dificilmente encontram pontos em comum.

Contudo, no Brasil, esse choque ideológico tem sido utilizado como campo de manobra por governantes irresponsáveis e inescrupulosos. E o Lula, como, até então, líder populista da esquerda brasileira, soube utilizar essas diferenças como ninguém. Todos devem lembrar quando, após ser levado coercitivamente para depor pela PF, entre outras bravatas, disse que por trás desta “perseguição” que estava sofrendo, na verdade residia um “inconformismo do rico que não aceitava que pobre sentasse numa poltrona de avião”. E o pior é que muita gente ainda acreditava, ou acredita, nessas provocações!

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Na verdade, Lula sempre enrolou a todos. Dizia aos seus seguidores o que eles queriam ouvir, fossem eles sindicalistas, integrantes do MST, seus “companheiros” do PT, estudantes da UNE ou grande parte da classe artística.

Contudo, diante do recente e devastador depoimento do ex-ministro Antonio Palocci ao juiz Sergio Moro, sua aspiração para retornar ao posto maior da nação acabou.  Suas chances de voltar a ser presidente do Brasil tornaram-se iguais a zero. Mas sua influência política não se esgotou.

Sempre haverá pessoas dispostas a serem manipuladas pelo Lula. Ficam, porém, as seguintes questões. Qual será o alcance de sua capacidade, ou daquela que ainda lhe resta, para influir na próxima eleição presidencial? Se for preso antes dela, conseguirá dramatizar e canalizar essa situação em favor de seu futuro candidato? Ou sua desmoralização já se deu por completo dentro do segmento da população que ainda vota na esquerda?

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Muito difícil prever. Mas não duvidem. Se grande parte do seu público já “bateu em retirada”, o seu teatro ainda está de pé. E sempre haverá quem queira assistir às suas apresentações!

4 comentários

  1. O texto retrata a realidade da nossa política e principalmente sobre o grande manipulador, Lula, que infelizmente ainda há grupos de intelectuais e artistas que ainda o defendem. Está na hora de aparecer políticos com espírito público de VERDADE.

  2. O mais triste é que os últimos acontecimentos mostraram que o molusco não é o único corrupto, mas sim quase que 100% da classe política. Como mudar diante de um cenário desses, onde quase todos que estão no poder só olham pro umbigo?

  3. Agora o povo parece estar acordando! Não se conforma mais em ser roubado e enganado todos os dias. Os dias do “rouba, mas faz ” ficaram no passado. Minha esperança é que essa onda de busca pela honestidade não desapareça jamais.

  4. Conseguiu retratar muito bem, aquele vil molusco, que durante tanto tempo enganou a tanta gente…

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