A intervenção militar é uma boa saída para o país?

Ricardo V. Malafaia     08/out/2017                                                                                                                                                           

Forças-Armadas-Exército-Marinha-Aeronáutica

Há poucas semanas, um oficial de alta patente, o general Mourão, em palestra numa loja maçônica, declarou abertamente que “companheiros do Alto Comando do Exército” entendem que uma intervenção militar poderia ser adotada se o Judiciário não trouxer soluções. Apesar de ser oficial da ativa, não sofreu punição.

Na sequência, o general quatro-estrelas da reserva Augusto Heleno, tendo sido o primeiro comandante das forças de paz no Haiti, publicou nas redes sociais total apoio à declaração de seu colega. A partir destas manifestações e da ausência de uma contestação mais contundente por parte das autoridades militares, imagina-se, portanto, que este pensamento encontra eco em boa parte do comando de nossas Forças Armadas.

Na outra ponta, segundo o Instituto Paraná, pesquisa recente assinalou uma equilibrada divisão de opiniões. Se, por um lado, 51,6% responderam que são contra uma eventual intervenção militar, por outro, 43,1% declararam ser a favor. O que definitivamente não é pouco!

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Analisemos. Algumas condições importantes já estão postas na mesa. Parte do comando militar entende que, talvez, não estejamos longe de uma eventual necessidade de se intervir militarmente. Parte expressiva da população, embora não sendo maioria, acredita ser, atualmente, a melhor alternativa. E, no meio disto, encontra-se um caldo de grossa corrupção em todos os níveis e em todos os setores, alimentado por organizações criminosas funcionando como partidos políticos! A questão está colocada!

E por que este significativo percentual da população brasileira entende que a intervenção militar é a melhor saída? Porque, na verdade, confiam nos militares e não veem luz no fim do túnel sem a sua intervenção. Apesar de alguns formadores de opinião declararem que as Força Armadas não são ilhas de moralidade dentro de nossa sociedade, estão enganados. Elas representam sim umas das maiores reservas morais do país!

Não por acaso, que, em outra pesquisa, apresentada pelo Datafolha em junho deste ano, entre as instituições em que a sociedade mais confia, as Forças Armadas aparecem em primeiro lugar, sendo que 40% confiam muito e 43% confiam um pouco, totalizando 83%. Em segundo lugar, aparece a imprensa, com 22% confiando muito e 49% confiando um pouco, somando 71%. Na rabeira da credibilidade, estão os partidos políticos, com ridículos 2% para os que confiam muito e 28% para os que confiam um pouco.

Em face disso, numa eventual situação limite, qual caminho seria escolhido pela população, caso tivesse que optar entre apenas duas alternativas? A primeira, continuar a ser governada pelos atuais políticos, que fazem de tudo, de lícito e ilícito, para permanecer no poder. Ou, não nos esqueçamos, retornar a ele. A segunda, clamar pela volta dos militares, e a consequente extirpação dessa atual classe política bandida, podre e viciada. Olhando-se friamente para os percentuais das pesquisas acima, não é difícil imaginar qual seria a opção escolhida pela população, caso, reiterando-se, restasse-lhe apenas estas duas alternativas.

Thomas Jefferson1

Em 1776, a Declaração da Independência dos Estados Unidos teve o mérito de ser redigida por Thomas Jefferson, que acreditava nada ser mais importante do que os direitos fundamentais do cidadão. Os ideais do Iluminismo, de fato e de direito, forjaram as origens daquela nação. Sua Constituição foi feita pouco mais de dez anos após a sua independência. E é hoje a menor e mais antiga entre as grandes democracias, tendo sofrido, até então, muito poucas alterações.  O saldo? Uma sequência ininterrupta de 45 presidentes eleitos pelo povo, em 241 anos de Democracia.  Uma superpotência que detêm 355 prêmios Nobel. E posiciona 16 universidades entre as 20 melhores do mundo inteiro.

No nosso caso, em 195 anos de independência e 128 anos de República, tivemos 8 Constituições, tendo a atual recebido mais de 60 emendas. Sofremos uma série de revoltas e revoluções, ficando quase 30 anos afastados da vivência democrática, somente no século XX. Além do que, um número bastante elevado de partidos políticos já passou pelo nosso Congresso.

Em todo este tempo, os ideais do Iluminismo, exceção feita aos Inconfidentes, ainda não deram “as caras” por aqui. O saldo? Nenhum prêmio Nobel. Nenhuma universidade brasileira relacionada, sequer, entre as 100 melhores do mundo. Segundo avaliações feitas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), dentre 70 nações pesquisadas, conseguimos ficar nas últimas posições no ensino da Matemática, de Ciências e da Leitura. No ranking IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) estamos na posição número 75 entre as nações pesquisadas.

Para não dizer que ficamos sempre nas últimas colocações, estamos liderando o ranking mundial de assassinatos, e estamos em quarto lugar quanto ao número de mortes no trânsito.

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A Democracia, contudo, é a única solução para todos estes males que nos afligem.  Como um ser vivo que se autofecunda, a Democracia gera mais Democracia. Não necessitando de ajuda, faz sua própria autodepuração. Todavia, há um ponto fundamental nesta evolução. O processo democrático não pode ser interrompido de forma alguma, sob pena de retrocedermos dezenas de anos!

Felizmente, as nossas instituições estão funcionando. Criminosos poderosos de “colarinho branco” estão sendo punidos. Políticos graúdos estão sendo desmascarados e julgados. A sociedade está cobrando e vigiando. O STF, o Ministério Público e a Polícia Federal estão cumprindo com o seus papéis. Finalmente, a secular impunidade está sofrendo um duro golpe. E esse é o único, verdadeiro e efetivo caminho!

É humano que, às vezes, fiquemos tentados a adotar um percurso mais curto, desejando que os militares deem uma solução mais rápida a tanta desfaçatez. Mas precisamos ser firmes. E manter a consciência de que a estrutura democrática tem o poder da solução.

Que as Forças Armadas continuem a nos proteger de quaisquer outros riscos! São os nossos anjos da guarda! Deixemos, entretanto, que a Democracia continue a fazer o seu papel! E que jamais ela seja interrompida outra vez! Salve as nossas Forças Armadas! Viva a nossa Democracia! E que seja eterna!

4 comentários

  1. Ótimo texto Ricardo.
    A democracia tem falhas e defeitos, mas ainda não se inventou nada melhor.

  2. A democracia ainda é a melhor opção, porém o Brasil ainda não teve, de fato, esse regime de governo.
    Basta comparar a nossa pseudo-democracia, com a de países que realmente se guiam pelos seus preceitos.
    Grande parte da classe política e as organizações criminosas, encontram aqui, terreno fértil para exercer suas práticas e prosperar.
    Por isso, acho que para colocar o Brasil num caminho para a democracia, faz-se necessário uma intervenção militar.

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