Família, uma fortaleza sob ataque

Ricardo V. Malafaia     17/dez/2017                                                                                                                                      

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Falar da importância da família para cada um de nós é redundância. Certo? Nem tanto! Afinal, como explicar o gigantesco número de famílias desunidas? Filhos que não falam com pais ou mães. Irmãos e irmãs que não se dão. Casais que moram sob o mesmo teto, mas não se comunicam. Pai e mãe que se separam e tornam-se desafetos. Avôs e avós que são abandonados à sua própria sorte!

Acredita-se que, nos primórdios, nossos ancestrais, antes de se organizarem em sociedade, viviam em bandos cuja promiscuidade era praxe. E, com o passar dos tempos, para que a civilização pudesse florescer, as famílias foram sendo naturalmente constituídas.

Contudo, a civilização humana atual, resultado de um processo natural e não planejado de dezenas de milhares de anos, apresenta diferentes faces em distintas fases de desenvolvimento. Se a tecnologia já é uma área extremamente desenvolvida, as relações humanas ainda permanecem muito aquém de seu necessário potencial evolutivo. Uma AR-15 na mão de um traficante é um bom exemplo do tamanho do abismo que separa estes dois estágios.

Ora, se a constituição familiar foi tão importante para a formação da civilização, não é muito difícil intuir que a sua manutenção e proteção são fundamentais para a continuidade de nossa cultura. Em virtude desta constatação, por quais motivos ela tem sido tão atacada?

Uma vez que o atual estágio das relações humanas é responsável pela grande maioria dos principais problemas por nós enfrentados, soluções são buscadas através da criação de diversas teorias “progressistas”. E mesmo que a maioria destas jamais tenha sido outrora testada, cada uma delas é apresentada como “a última bolacha do pacote”. E o mais interessante deste fenômeno é constatar que milhões de seguidores mundo afora saem em sua desenfreada defesa.

sentido contrário

Acontece que estas mesmas teorias, muitas delas inclusive não passando de simples experimentos, não mantêm compromisso com valores, pois os enxergam com os olhos do relativismo contemporâneo. Dentro deste contexto, a família é mais vista como entrave do que como solução aos problemas humanos e sociais.

Há quase cem anos, a Escola de Frankfurt vem reorientando o marxismo. Percebendo que o radicalismo ortodoxo tenha chegado ao seu fim, preocupou-se em redirecionar sua essência no desenvolvimento do pós-modernismo de esquerda, camuflado de “politicamente correto”. Afinal, nada mais atraente do que defender as minorias. Quem de bem que não as quer defender?

Contudo, os fins não podem justificar os meios. Visar os direitos de uns ferindo o direito de todos não deve ser o caminho. Quando poucos decidem manobrar muitos, procurando fazer com que as ideias de Nietzsche martelem a família cristã, e de outras religiões, cabe a cada um dos que a defende levantar a voz e dizer “não”. A família não será destruída!

Quando os EUA jogaram uma bomba atômica em agosto de 45 em Hiroshima, o mundo tomou ciência do potencial devastador desta nova arma. Através da fissão nuclear, bombardeou-se o núcleo de um elemento radioativo. E, após uma reação em cadeia, uma quantidade enorme de energia destruidora foi liberada.

Analogamente, como núcleo da sociedade, a família também vem sendo bombardeada. Seus valores mais profundos vêm sendo limados. De maneira irresponsável, atacam-na sem imaginar as possíveis consequências devastadoras que podem ocorrer com a sociedade. Ou melhor, que já acontecem com todos nós. Infelizmente, todos os dias.

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Para alguns estudiosos, a família é um sistema social. E como tal, deve ser tratada e analisada. Contudo, ela é muito mais do que isso. Estamos de fato falando de uma unidade que transcende a evolução humana. Que transcende um estudo social. Que transcende quaisquer novas teorias progressistas.

Transcende porque o vínculo que une os seus membros não pode ser medido por nenhum aparelho. Nem pode ser analisado por nenhum doutorado de economia. A força que os mantém transcende qualquer ciência, pois é indivisível e indestrutível. Essa força, cuja ciência nenhuma explica, é o amor.

Há muitas razões pelas quais as famílias têm sido desfeitas. As principais delas passam pela falibilidade do ser humano. Contudo, vivemos num mundo confuso, permeado por ideias erradas e mal formuladas. Em terreno infértil, bons frutos não nascem. Em tempos estranhos, as fragilidades humanas prevalecem.

Entretanto, não percamos de vista. O bem, ao final, sempre prevalecerá. Família é mais do que base social e humana. Família é valor! E como tal deve ser tratada. E cuidada!

Vaidades devem ser colocadas de lado. Perdão deve ser o sentimento de ordem. Sabedoria para selecionar prioridades da vida deve ser estabelecida. O sentimento do amor deve falar mais alto do que qualquer outro. Atire a primeira pedra quem já não errou. A vida é uma só. Ame o amor do não egoísmo. E não percamos tempo limitados à nossa pequenez de espírito. Mesmo que acreditemos que a razão nos pertence.

diga-nao

A família está sob ataque. É fácil perceber que este processo está ocorrendo. Podemos nos calar e permitir que esta “fritura” continue. Ou podemos nos levantar, e nos posicionarmos de forma enfaticamente contrária. Afinal, negligência é dos piores pecados, pois é filha do comodismo com a covardia.

Sem dúvida alguma, a família é a nossa base. É fortaleza para a qual recorremos. E onde seremos sempre aconselhados e acolhidos. Mais do que base, ela é valor. Valor e amor em seu mais profundo e autêntico formato. Motivos mais do que suficientes para que seja resguardada e defendida. Em qualquer lugar, em qualquer tempo, de quem quer que seja. Sob qualquer pretexto. E a qualquer custo!

 

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2 comentários

  1. Pois é Graça. A Família tem que ser cuidada e protegida. Dos desencontros internos. E das ameaças externas. Obrigado.

  2. Ricardo!
    Mais um excelente texto!
    Quando se trata da família, todos nós somos tocados!
    Sabemos que nem sempre a convivência com cada um de seus membros, é fácil…
    Cada um tem suas individualidades, suas características, seus momentos, que devem ser respeitados…
    Mas, com compreensão e sobretudo com AMOR, tudo é superado…
    E viva a Família, “célula mater da sociedade”!!!
    Graça

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