Lula Parte 2: E o lado oculto da Lua

Ricardo V. Malafaia     21/jan/2018 

lua

O Brasil, gigante pela própria natureza, há muito é o país do futuro, pois não cansa de patinar no presente. E, de fato, não poderia ser de outra maneira. Afinal, formamos, segundo as Nações Unidas, dentre duas centenas de países, a décima sociedade mais desigual do planeta. De um lado, uma elite arcaica e míope, não querendo largar o osso. De outro, milhões de crianças e jovens, intencional, ininterrupta e perpetuamente, recebendo, há décadas, um ensino de baixíssima qualidade.

Um cenário, portanto, completo. E uma narrativa pronta. Haveria enredo, personagens, tempo e lugar. O candidato a mocinho, pobre e nordestino, lutaria quixotescamente ao lado do povo contra as injustiças sociais. Um script que qualquer grande produtor de Hollywood chamaria de seu.

Então, mais de uma década se passou após ter conseguido alcançar o posto de chefe de Estado. E surpreendentemente, o diretor, e protagonista desta história, não soube dirigir. Somente atuar. Pudera, pois quem perde o prumo, perde o rumo! Cercado por suas próprias fraquezas, não foi capaz de conduzir a nação à terra prometida, relegando-a a uma terra moral e economicamente arrasada.

O líder necessita carregar algumas habilidades essenciais. Uma delas é a capacidade de delegar. Mas Lula sempre foi muito centralizador. Ao invés de, por exemplo, apostar num sucessor capaz, optou pelo nefasto absolutismo. Preferiu eleger uma comandada extremamente limitada, que pudesse servir de poste presidencial. Só não contava, entretanto, que a fã do vento e da mandioca decidisse andar de bicicleta sem uso de rodinhas. Deu no que deu! Só não visitamos a bancarrota porque fomos salvos, não pelo gongo, mas pelo “gópi”!

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Com efeito, Lula tem escolhido, para os postos chaves, apenas pessoas sobre quem ele possa ter absoluto controle. O antigo presidente do PT e a atual são exemplos claros desta sua preocupação. Outro momento muito eloquente desse seu traço foi quando disse que a Suprema Corte estava totalmente acovardada. Na prática, esperava que alguns ministros agissem com reciprocidade, agradecidos por terem sido, diretamente ou não, por ele indicados para aquela casa.

Tendo em vista este aspecto centralizador de sua personalidade, é crível imaginar que presidentes de estatais e diretores da outrora superpoderosa Petrobrás, posteriormente condenados por corrupção, tenham sido escolhidos, na ocasião, para os respectivos cargos, sem o seu consentimento? Certamente que não! Não é possível, diante da mão de ferro com que Lula claramente tem tocado, até hoje, toda a sua engrenagem.

Outra qualidade (já foi uma obrigação em tempos muito distantes) essencial para exercer a liderança é a honestidade. Entre todas, é a característica mais fundamental. Sem ela, não há respeito. E nem confiança. De fato, não pode pairar um grão de dúvida sobre este aspecto. A honestidade de um líder deve ser, de forma cristalina, reconhecida por todos. Inclusive, pelo mais ferrenho dos seus inimigos!

Pode-se criticar um líder por sua estratégia, por suas escolhas, ou por quaisquer outros pontos. Mas jamais um líder pode ter a sua conduta moral questionada. Jamais. E quando Lula se vê diante da necessidade de aparecer frente às câmeras e afirmar que “não há alma mais honesta neste país”, é porque a sua credibilidade já foi para o espaço!

Além da condenação a quase 10 anos de prisão por recebimento de propina referente à posse do triplex de Guarujá, Lula responde por mais seis processos, sendo dois deles mais densos do que este pelo qual já foi punido. Em um, o petista responde pelo recebimento de suborno envolvendo o sítio de Atibaia. E no outro, o mais danoso de todos, é acusado de comandar o quadrilhão do PT que assaltou, segundo o MP e a PF, a Petrobrás e outras estatais.

provas

Estes processos baseiam-se em centenas de provas. De acordo com as autoridades competentes, são extratos bancários, notas fiscais frias, contratos de prestação de serviços, e-mails, laudos periciais, relatórios internos de estatais, comprovantes de pagamento no Brasil e no exterior, contratos em nome de laranjas, trocas de mensagens, planilhas, vídeos, fotos, registros de encontros clandestinos, operações fraudulentas.

Não menos importante, são as inúmeras acusações por parte de dezenas de delatores. Entre eles, marqueteiros, doleiros, atuais e ex-diretores e ex-presidentes de grandes construtoras, inclusive a Odebrecht, e ex-ministros.  Crimes envolvendo Petrobras, BNDES, Sete Brasil, CEF, fundos de pensão. Muitas provas que precisarão, sobretudo, de muito tempo ainda pra serem analisadas.

Mais. Os três últimos tesoureiros do PT foram presos. A cúpula do partido foi condenada. Alguns dos seus fundadores já manifestaram, inclusive, de forma pública, a decepção com a sua derrocada moral. E o que a defesa do Lula fez? Percebendo que as evidências surgiam avassaladoramente de todos os lados, optou por transformar julgamentos criminais em políticos. Ou seja, fugiram do âmbito legal e se esconderam no reino das pós-verdades. Estão, agora, estrategicamente pisando em terreno familiar!

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Em 2002, Lula venceu as eleições com mais de 60% dos votos válidos. Entretanto, em outubro de 2017, segundo pesquisa do Datafolha, 54% dos brasileiros desejavam sua prisão. E por que a mudança brusca de opinião da grande maioria dos brasileiros a seu respeito? Evidentemente, esses milhões de desiludidos, que já foram seus eleitores, perceberam o óbvio.

Durante milênios, o homem nunca pode ver o outro lado da lua, uma vez que a sua rotação se dá ao mesmo tempo que a sua translação acontece. Apesar de nunca ter sido vista até recentemente, sempre soubemos de sua existência. Da mesma forma, o triplex do Guarujá e o sítio de Atibaia não estão em nome de Lula. Contudo, as provas existentes já são mais do que suficientes para incriminá-lo.

Um bom roteiro só poderá ter um final feliz para a nação quando for escrito com verdade e competência. A mentira sempre foi caminho para a escuridão. Um grande país só se constrói com a união entre povo e autênticos líderes. Quem divide para vencer a qualquer custo precisa ser cobrado. Pela justiça. E pela História!

 

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