Pouco importa a motivação. Seja bem-vinda, Intervenção!

Ricardo V. Malafaia     18/fev/2018

iron-fist-after

Durante os dias de Carnaval no Rio de Janeiro, ao deslocar-se à noite pelas ruas da Zona Sul, além da desordem e sujeira causadas por muitos foliões sem noção e educação, assaltos eram vistos, um atrás do outro. E, como baderna pouca é bobagem, quando criminosos eram rendidos por populares, os linchamentos corriam soltos. Essa era a cena! Uma verdadeira anarquia!

Assaltando em bandos ou em duplas, impressionava a certeza da impunidade que os movia. Um “liberou geral” como nunca se tinha visto. Na verdade, somente neste ano, em pouco mais de um mês, a população carioca já assistiu suas crianças serem mortas por balas perdidas. Vias expressas tornarem-se zonas de guerra. Policiais morrerem por atacado. Uma vez que políticos ordinários, através de sua voracidade ilimitada, plantaram a selvageria em nossa cidade ao longo de muitos anos, algo de extraordinário precisava ser feito.

Para completar o caldeirão do crime generalizado, temos, como Governador, um morto-vivo. E um Prefeito desastroso, debochado e ausente.  Mas, o que esperar de uma máquina pública governada, há décadas, pelo PMDB. E fortemente apoiada, por mais de 10 anos, pelo PT. Ambos os partidos “bastiões da moralidade”!! Seja bem-vinda, Intervenção!

Segundo o velho Newton, contudo, para cada ação corresponde uma reação. Portanto, não surpreendem as críticas contrárias à medida. Se houve motivações políticas, e deve ter mesmo havido, pouco importa. De fato, os cariocas e fluminenses desejam apenas que as suas famílias continuem vivas. Quanto à dúvida sobre inconstitucionalidade, é só ler o inciso 3 do artigo 34 da nossa Constituição. Mais claro, impossível.

FA Brasil no Haiti

Se há receio de alguns quanto aos riscos de violação de direitos civis em comunidades carentes, qual é mesmo a atual realidade na qual elas estão inseridas? E uma eventual dúvida quanto à adequação dos militares para o policiamento ostensivo não resiste a uma análise mais detalhada a respeito do maravilhoso, e similar, trabalho desenvolvido durante mais de dez anos em áreas urbanas pelas nossas Forças Armadas em Missão de Paz no Haiti. Em tempos de Soft Power, é a nossa melhor cartada.

A sociedade carioca tem servido, há décadas, de recheio para o crime. Espremidos entre as organizações criminosas formadas por traficantes e milicianos de um lado, e aquelas compostas por políticos corruptos do outro, seus cidadãos não têm para onde correr. Está formado o sanduíche da corrupção e violência! Uma verdadeira iguaria carioca. Faz tempo que sua degustação não escolhe horário, local, idade ou classe social. Uma iguaria também democrática!

Em tese, bandidos e políticos deveriam estar em lados opostos. Certo? Errado! Neste Estado eles estão do mesmo lado. Lembremo-nos da declaração do insosso atual Ministro da Justiça, Torquato Jardim, no ano passado, afirmando que o comando da Polícia Militar fluminense está associado ao crime organizado. Segundo pesquisa do Datafolha, é a estrutura policial mais corrupta do país. Entendem por que somente o comando das Forças Armadas terá força e independência para desbaratar esse maldito imbróglio?

A experiência acumulada no Rio servirá de exemplo para os outros Estados. A integração entre as inteligências estaduais e federal, de forma inédita, poderá servir de um contraponto à altura da crescente organização transnacional de comandos criminosos que está acontecendo a passos largos em nossas terras.

Todo processo defeituoso, para ser corrigido de maneira emergencial (o que é um absurdo, pois tempo não faltou para executar um planejamento adequado), precisa ser atacado, preferencialmente, pela via do presente, sem perder a perspectiva do futuro.

FA2

A repressão ao crime, tanto o organizado como o que não é, deve acontecer já. Precisa-se, não apenas de planejamento e inteligência, mas de integração, força e presença. Sua face deve ficar bem evidente. A hora é do tudo, para não colher o nada. Não há meio termo. Força se combate com inteligência. E também com força, maior e mais estruturada. No presente, é o que precisa ser feito. E o comando da Intervenção sabe disso!

Contudo, o futuro chegará. Será o nosso próximo presente. E, para bem cuidá-lo, não bastará o uso da força. A causa precisará ser privilegiada. Outra cena foi também registrada durante os dias de Carnaval no Rio. Num caixa-eletrônico de uma agência bancária na Zona Sul, alguns usuários foram cercados por 3 criminosos desarmados. O mais velho teria, no máximo, 7 anos de idade! No máximo!

E qual o significado desta situação? Há muitos vídeos circulando pelas redes sociais afirmando que todos aqueles que entram para o crime assim o fazem por livre arbítrio. Muito bem. E qual é a maturidade para exercer o seu livre arbítrio que uma criança de 6 ou 7 anos tem? E uma de 9 ou 10?

Claro que há muita gente ruim. Isso é fato. Contudo, precisa-se separar o joio do trigo. Levar educação e os serviços básicos sociais às comunidades carentes fará esse papel. Que todos tenham oportunidades iguais na vida, como apontamos em nosso artigo Violência no Rio – entre muitos paliativos e apenas uma solução. Aqueles que, mesmo assim, optarem por carreiras criminosas, como traficantes ou “colarinhos brancos”, que paguem caro por isso. Muito caro. Para o futuro, é o que precisa ser feito!

bala-de-pra

A Intervenção Federal na área de segurança do Rio é a nossa bala de prata. Se de certo, poupará milhares de vidas e sofrimentos nos próximos anos. E servirá de estrada pavimentada para o resto do país. Se não der, que Deus nos ajude! O maior risco é a ignorância de um povo eleger algum populista ou alguém com ideias de esquerda para Governador. Se assim for, poderemos trocar o nome do Estado para Caos de Janeiro. Esperemos que não!

 

  • Se desejar que a reflexão se torne uma ação, compartilhe clicando, abaixo, no botão do WhatsApp ou no do Facebook.
  • Deixe o seu comentário. A sua opinião faz toda a diferença.
  • Uma sociedade em busca não conhece muros!

10 comentários

  1. É Ricardo…
    Eu, assim como grande parte da população do Rio de Janeiro, estamos torcendo e pedindo a Deus, que as medidas tomadas pela Intervenção, venham nos tirar da situação caótica que estamos vivendo!
    Graça

  2. Em minha modesta opinião, o que está em jogo agora é a união das pessoas de bem para poder combater a falta de ordem que se desencadeou no crime organizado das elites e dos bandidos que vivem a muitos anos se fortalecendo as custas da ausência do Estado nas comunidades. Parabéns amigo!!

  3. Acho que é a única- e última alternativa que temos para nos livrar da prisão que estamos.

Deixe o seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s