Fake News dos poderosos

Ricardo V. Malafaia     25/fev/2018

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Escolhida como a expressão do ano, em 2017, pelo dicionário inglês da editora Collins, “Fake News”, ou “Notícias falsas”, traduz a distribuição deliberada de desinformação através das mídias sociais ou das tradicionais. Em constante conflito com a imprensa americana, Donald Trump tem procurado reivindicar pra si a sua autoria, desconhecendo, contudo, a sua utilização desde o século XIX.

Na verdade, o uso proposital dos boatos coincide com a própria história da humanidade. Enganar para se “dar bem”, ou apenas para ter o deprimente prazer em destruir, tem se constituído em parceiro do mal daqueles que não se importam em andar por vias tortas. Contudo, diante do atual avanço tecnológico, as “Fake News” ganharam status de inimigo estelar, pois têm se espalhado praticamente tão rápido quanto o próprio pensamento.

Quantas vezes já recebemos mensagens, de forma quase simultânea, de grupos completamente diferentes? Algumas acabam sendo desmentidas posteriormente. Mas outras se estabelecem como pós-verdades. De fato, as notícias falsas têm encontrado terreno fértil na polarização de ideias, indo ao encontro de posições apaixonadas. E quando se trata de paixão, tudo é feito com muita intensidade.

Com efeito, utilizamos o nosso espírito crítico apenas quando estamos diante de notícias que coincidem com posicionamentos contrários ao nosso. Contudo, quando informações que tangenciam as nossas próprias posições são veiculadas, o nosso filtro analítico é automaticamente desligado. E é exatamente através desta brecha aberta pelo nosso inconsciente que os marqueteiros sem pudor fazem a festa. A nossa cegueira passional político-ideológica torna-se um verdadeiro playground de poderosos políticos.

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Existem muitas técnicas para se propagar uma “Fake News” com relativa eficácia. Uma delas é mesclar, à notícia falsa que se quer propagar, outras que são efetivamente verdadeiras. É como penetrar alguém sem convite, fazendo-o passar misturado a vários conhecidos do dono da festa. Entra fácil!

Quando, por exemplo, um advogado criminalista, cinicamente crítico da prisão após condenação em 2ª instância, alega que a medida pode levar milhares de inocentes à cadeia, inchando ainda mais os já lotados presídios, na prática, lança mão da técnica ao misturar duas preocupações verdadeiras, a prisão de inocentes e a superlotação carcerária, com uma desinformação. Afinal, quem tem sido preso após o julgamento em 2ª instância são os poderosos. É como disse o Ministro Barroso do STF dias atrás: “Essa medida é eficaz para punir os criminosos de colarinho branco, porque pobre é preso antes da sentença de 1º grau. É preso em flagrante e não sai mais”.

Outra técnica largamente utilizada para fazer com que “Fake News” tornem-se “verdades” consiste na repetição de uma mentira por diversas vezes. Possivelmente sem conhecimento científico, Goebbels, ministro e braço direito de Hitler, afirmava que “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Hoje, a neurociência comprova que algo, quando dito reiteradamente, gera crenças profundas. Que perigo!

Quantas vezes temos visto algum advogado de algum criminoso condenado pela Lava-Jato afirmar, após qualquer novo julgamento realizado, que “agora está mais do que provada a inocência do meu cliente”. Quem fala? O próprio advogado de defesa que dá o veredito? Cômico! É a utilização desta técnica pelo advogado cara de pau!

Não são poucas as técnicas utilizadas para disseminar desinformações na política. Não é difícil perceber, por exemplo, que há alguns jornalistas que são completamente alinhados a Temer. Suas posições sempre são elogiosas a ele. Até mesmo as perguntas de ouvintes, no caso de programas de rádio, são cuidadosamente escolhidas para alavancar suas retóricas, dando a falsa impressão de uma grande aprovação do seu governo. São profissionais dignos de pena!

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Na outra ponta, há os blogs de esquerda, que elogiam até os espirros de seus ícones. Quaisquer medidas dos adversários serão criticadas. Quaisquer declarações de seus deuses serão reverenciadas. Uma plateia para assistir Lula formada por cem pessoas, como num passe de mágica, terá tido milhares. Uma atrocidade qualquer de Maduro será veiculada como mais uma legítima ação popular contra o imperialismo norte-americano. Loucos que fazem com que a sua própria e nobre profissão do jornalismo seja traída na sua mais profunda essência. Um erro sem perdão!

Outra forma de propagar uma “Fake News” é confundir a população utilizando-se de “motes cruzados”. Nesta semana, um professor da UnB, após criar um curso sobre “o golpe de 2016”, e, em seguida, receber uma enxurrada de críticas, defendeu-se invocando a liberdade de expressão e opinião. Ora, por certo, não está em discussão esta liberdade. O que não pode ser permitido é impor uma determinada visão ideológica ao aluno. Impedir que um jovem desenvolva o seu próprio senso crítico, dentro da escola ou Universidade, é quase um crime. Possivelmente, seja esta uma das mais cruéis variáveis da desinformação!

Dar declarações buscando manipular a sociedade não se faz mais disfarçadamente. Agora, as perversas tentativas acontecem às claras. Após a Intervenção na área de segurança do Rio de Janeiro, muitos “especialistas” de esquerda dizem temer pelos direitos dos menos favorecidos. Como assim? A valer, mais de 90% das crianças que morrem por bala perdida moram em comunidades carentes. E, aproximadamente, o mesmo percentual também corresponde às crianças e jovens que entram para o tráfico. Portanto, se der certo, serão os menos favorecidos que mais se beneficiarão deste processo! A mentira criminosa definitivamente não pode prevalecer!

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Para os poderosos, as desinformações são muito úteis, pois se tornam os verdadeiros favorecidos. Sabem que seus alinhados ideológicos comprarão, de forma mecânica, qualquer bagaço que entregarem. Contra essa manipulação, todavia, a sociedade precisa se tornar mais independente, e se afastar, de maneira definitiva, das jurássicas ideologias, sejam elas de direita ou de esquerda. Um novo mundo pede passagem. E o Brasil não pode perder essa chance!

 

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4 comentários

  1. Pois é, Guilherme. Precisamos romper com as ideologias de direita e esquerda, através das quais tentam, todos os dias, manipular a sociedade. Precisamos buscar um novo caminho. Independente e próspero. Obrigado.

  2. Muito bom!
    É exatamente isso que vejo todos os dias na internet. Difícil acreditar em alguma coisa que sai na mídia. Tem sempre alguma coisa por trás…

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