O que a Pátria representa para você?

Ricardo V. Malafaia     31/julho/2018

Pátria 2

Brasil, um país de tamanho continental. Com dimensões que correspondem a cerca de 50% de toda América do Sul, é o 5º maior entre duas centenas de nações. Seu imenso território é apenas 15% menor que o 2º mais extenso. Mas há outra dimensão tão ou mais importante que a territorial. É aquela que se encontra dentro de cada um de nós. E que transforma um lugar de origem em valor. Um valor conhecido como Pátria. Para muitos, como Pátria Amada.

Na infância, o Hino Nacional tem uma relação de muita proximidade com a nossa vida escolar. E quando adultos ocasionalmente cantamos, sobretudo em eventos esportivos e cívicos mais relevantes. Mas qual é o sentimento que nos envolve quando pronunciamos em harmonia cada um de seus versos? Cada uma de suas palavras? Cada uma de suas ideias?

De fato, para cada ocasião em que cantamos o Hino Nacional por completo, fazemos nada menos do que 10 declarações de amor à nossa terra natal, mencionando 6 vezes “Pátria amada”, 2 vezes “Terra adorada” e 2 vezes “(Terra) Idolatrada”. Mesmo que muitos não se deem conta disso, assim procedemos. E muitas vezes com a mão no lado direito do peito…

Vivemos num mundo muito diferente daquele no qual nossos pais e avós cresceram. Ele ficou menor e a distância entre povos diminuiu. O que é bom! Contudo estreitar relação com outras culturas não significa relativizar a importância de nossa própria origem. Se a grama do vizinho for mais verde, melhor do que desejá-la é esforçarmo-nos para melhorar a nossa.

Pátria 3

Quando a locomotiva da modernidade trouxe-nos o avanço tecnológico, também nos “brindou” com o culto ao egoísmo e ao relativismo, regado ao perigoso caldo ideológico, muitas vezes imperceptível, da desconstrução de valores. Na verdade, as eras sucedem-se sem que o homem aprenda a distinguir entre contexto e essência. A humanidade segue de óculos escuros!

No início da Copa do Mundo deste ano, pesquisas mostravam que o interesse da população pelo evento era baixa, justificado, principalmente pela crise política, econômica e de valores. Contudo, durante os jogos do Brasil, todos torceram, vibraram e emocionaram-se. Mesmo aqueles que nunca se interessam por futebol sofreram, como sempre fazem de quatro em quatro anos. Afinal, a Seleção estava em campo.

Minutos antes de cada jogo, cantávamos à capela, mesmo silenciosamente, o nosso Hino. Discutíamos sobre os jogadores que faziam a diferença. Criticávamos os excessos do Neymar. Apesar das pesquisas indicarem o contrário, permitíamos que as emoções nos invadissem. Brasileiros de todas as gerações, raças e credos, unidos, torceram muito. Que sentimento foi esse? E qual o seu significado?

Alguns vão resumir em alienação popular, recorrendo ao clichê “Pátria de chuteiras”. Mas como explicar as gigantescas comemorações pelo título do rico povo francês? Ou o comovente êxtase da população croata junto com a sua bela e simpática presidente? Não, o amor à Pátria não está morrendo. O brasileiro estará sempre pronto para se orgulhar de tudo aquilo que bem o representar. E por isso acordávamos cedo aos domingos para comemorar as façanhas de um certo Ayrton.

Pátria 4

Após o período do regime militar, Patriotismo ficou associado à ausência de Democracia, sendo inclusive confundido com Ufanismo. De lá para cá, aquele que eventualmente se declara patriota corre o risco de sofrer patrulhamento ideológico, e ainda ser rotulado de Direita. Na verdade, Patriotismo nada mais é do que amar a sua terra natal. É respeitar e ser leal a ela. É amá-la. E protegê-la.

Antigamente defendia-se a Nação dos exércitos externos. Hoje é preciso defendê-la dos inimigos internos. Daqueles que têm apenas interesses supranacionais. Das ideologias que desconstroem valores. Dos que lutam a todo custo para manter privilégios. Dos que usurpam o poder e o utilizam em causa própria. De fato, há várias lutas a serem travadas. Porém, mais importante que o tamanho do desafio é a disposição para enfrentá-lo. E é neste ponto que o amor à Pátria torna-se fundamental.

Muitos falam que estão descrentes com o País, ao invés de canalizarem toda a sua descrença contra os políticos profissionais, sejam eles de Direita, de Esquerda ou Fisiológicos. Confundir País com governo é erro tão grave quanto responsabilizar instituições e não seus representantes. Aos maus governantes, a nossa mais pesada revolta. À nossa Pátria, a nossa mais leal devoção e o nosso mais profundo amor.

Façamos um exame de consciência. Quantos de nós têm sido eleitores meticulosos, antes e depois de cada eleição, não apenas para presidente, mas para governador, prefeito, senador, deputado federal e estadual e vereador? Eleição após eleição?

Pátria 5

Diferentemente de outros povos, fomos doutrinados, desde sempre, para esperar que o País fizesse por nós. Enquanto isso, lavamos as mãos para os políticos que elegemos e não fiscalizamos.  Ao recebermos péssimos serviços públicos como retorno, culpamos quem? Culpamos o País. E é por causa desta miopia política que nunca rompemos este rodamoinho maldito.

Há um esforço sem rosto para “plantar” que o Patriotismo “já era”. Que caiu em desuso. Que ficou antiquado! Há um esforço para que este valor perca-se, junto com outros como caráter, honra, altruísmo, família, cidadania, honestidade, solidariedade, respeito e fé. Na verdade, deseja-se substituir valores atemporais por vazios progressistas como egoísmo, prazer, impaciência, superficialidade, materialismo, fluidez das relações e submissão a ideologias. O bem sendo trocado pelo mal, em nome da nova ordem mundial!

Os jovens de hoje são mais ecológicos e mais preocupados com a natureza. E isso é ótimo. Contudo flora e fauna não se desenvolvem no espaço sideral. Elas crescem e se multiplicam sobre a nossa terra, mãe doce, mãe gentil. Verdadeiramente, não haverá natureza, nem alimentos e nem futuro se não houver terra. E não haverá terra se não houver Pátria. E não haverá Pátria se não houver quem a defenda. E não haverá quem a defenda se não houver quem a ame!

Pátria 1

A Pátria é o lar de uma Nação. Dela viemos, a ela pertencemos. Por tudo isso, amor à Pátria é valor. É valor que agrega, que protege, que acolhe, que constrói. Por causa de seu amor, independente dos obstáculos, pais lutarão por seus filhos em qualquer situação. Por isso a sociedade precisa enxergar os seus mais profundos valores, para ter pelo que lutar. Definitivamente, um povo que ama a sua Pátria jamais se entregará. Lutará até o fim. Até conquistar a sua própria liberdade!

 

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8 comentários

  1. Regina, se nós esmorecermos, eles vencem. É isso. Ou eles ou nós. Chegamos num ponto onde não há mais meio termo. Que tomemos uma decisão!!

  2. Povo descrente, abandonado por seus eleitos e uma nação entregue. Assim estamos vivendo em uma situação das mais delicadas. Lamentável. Amamos nossa Pátria, cantaremos sempre nosso hino, mas diante de tanto sofrimento a paixão enfraquece, o amor cede….. mas vamos lá Pátria Amada. Vamos reagir!!!

  3. Kleber, a monarquia parlamentarista realmente tem demonstrado ser uma forma de governo que traz estabilidade política e social aos países que a mantêm. Contudo a tradição é um ingrediente necessário para a sua existência, que não é o nosso caso. Podemos até, futuramente, adotar o parlamentarismo republicano. Mas com o nível atual de políticos, melhor mesmo é caminhar com o presidencialismo, e sofrer as agruras de uma longa depuração política.

  4. Acho que o sentimento de amor à Pátria é o alicerce de qualquer projeto de Nação, por esse motivo comungo com os ideais Monárquicos. Hoje na história contemporânea vemos na figura do Rei, o papel de Guardião da Pátria e seus símbolos, fiscalizando também as figuras que compõe o Parlamento eleito. Não permitindo que políticos inescrupulosos tomem as rédeas do Estado, a nossa Pátria amada, mantendo-a no trilho da Ordem e do Progresso. Mais uma vez, parabéns.

  5. Luiza, há sim um enorme esforço sem rosto de desconstrução de valores. Contudo a busca pela inclusão que você aborda é recente e muito bem vinda. E quando afirma que o amor à Pátria não é dever, acerta em cheio. Da mesma forma que pais não amam seus filhos por obrigação. Patriotismo é um direito, e um valor, que deve ser enaltecido. E estimulado.

  6. Claudia, o tempo de uma Nação não é de uma geração. Precisamos ter a visão de continuidade e entender que fazemos parte de uma construção. E a parcela que nos cabe é transformar os erros em acertos, com muita luta. As próximas gerações agradecerão.

  7. Concordo muito quando fala da diferença entre governo e país, que não podemos confundir nossa revolta contra nossos representantes políticos e nosso sistema institucional político com a revolta contra nosso país (“Brasil, ame-o ou deixe-o”). Mas em relação à desconstrução de valores, penso que não é exatamente assim.. A desconstrução é de um modelo estrutural social estabelecido que acaba por segregar diversos grupos e indivíduos, não de valores. A família ainda está presente, porém mais inclusivo. A pátria ainda está presente, porém o patriotismo deve ser reconfigurado englobando os diversos fluxos imigratórios e os novos elementos sociais e simbólicos que isso exige. A fé está presente, porém tendo ciência da diversidade religiosa e não religiosa necessária para se respeitar sempre a diversidade e o próximo. E por aí vai. Mas em relação ao respeito, ao mesmo tempo que estamos regredindo em alguns casos, também acho que estamos progredindo em muitos outros.
    E a nossa pátria… Precisamos construir socialmente um sentimento não por dever, mas sim por identificação e amor ao nosso lugar, local mesmo. Um lugar em que há pluralidade de idéias, indivíduos, culturas e nacionalidades, mas sob a base do respeito. Respeito ao próximo e sua diversidade. E precisamos mesmo parar de achar que tudo está perdido e ir pra luta, seja na rua e seja no voto.

  8. Exatamente isso Ricardo. Minha geração foi a que acreditava que o Brasil seria o país do futuro, mas ele chegou, já somos idosos e nos sentimos como filhos mal tratados. O amor pela pátria não diminuiu, mas a esperança de ainda viver em um país justo está difícil de manter. Um abraço.

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