Governantes negligentes, ditadores e bandidos. Quem tem o seu de estimação?

Ricardo V. Malafaia     27/janeiro/2019

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Dizem que a única certeza da vida é a morte. Mas não é bem assim. Na verdade há outras certezas. Há os impostos. E há as nossas incoerências políticas e ideológicas. Sim, volta e meia elas reaparecem. Sem avisar, vendas caem sobre os nossos olhos e impedem que enxerguemos o que deveria ser óbvio. E se isso não fosse pouco, ainda nos lançamos em ardentes defesas do que talvez seja indefensável.

Estamos vivendo mais uma tragédia anunciada. À queda da barragem em Brumadinho soma-se a de Mariana. São tragédias humanas e de meio ambiente que poderiam ter sido evitadas, pois nada têm de naturais. De fato não houve acidentes, mas somente crimes. Verdadeiramente como pode uma gigante multinacional da mineração, com um corpo técnico do mais alto gabarito, permitir que tais tragédias acontecessem?

Resposta: exatamente pela mesma razão que muitas outras multinacionais de diversos setores, quando por aqui aportam, cometem crimes que não estão acostumadas a fazer lá fora. O conluio secular entre o público e o privado, por estas bandas, sempre expõe a nossa maior e mais nefasta jabuticaba. As tragédias de Mariana e Brumadinho têm as digitais de inúmeros políticos. Agora manchadas com muito mais sangue!

Quem são esses políticos? Vereadores, ex-prefeito, deputados, senadores, ex-governador, ex-ministros, ex-presidente, ex-presidenta? Saber aos quais partidos pertencem e quais são seus nomes deverá mudar algo no julgamento por parte de cada cidadão? Se mudar, deixemos a balança e a espada com a Deusa Têmis, mas retiremos de uma vez a fita que veda os seus olhos. E cada qual cuidará dos seus criminosos de estimação.

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Nesta mesma semana, o cerco começou a se fechar contra Flávio Bolsonaro. Enquanto o assunto era financeiro, a investigação por parte do MP e Coaf poderia produzir sérios danos à sua imagem de combate à corrupção. Mas a partir do momento que se abre uma nova denúncia ligando-o de alguma forma ao ambiente das milícias, a situação sobe de patamar.

Contudo tais investigações são muito recentes. Deve se dar a ele todas as condições de defesa. Acelerar de forma atabalhoada julgamentos definitivos sobre suas culpas antes que todos os fatos sejam devidamente esclarecidos é correr o risco de repetir o papelão que foi feito contra o suspeito preso injustamente de ter assassinado o filho da dona de uma mercearia na Zona Oeste do Rio no início deste ano. E que graças à incansável luta de seu pai a justiça pode ser restabelecida.

Não esqueçamos também que as condenações na Lava Jato só ocorreram após muitos anos de investigação. Deixemos, pois, que a justiça siga seu curso. E aguardemos mais alguns meses para que possamos fazer algum juízo de valor. O importante contudo é que todos os pontos sejam devidamente esclarecidos. Por ser o filho do Presidente. E por ser um senador da República. Não merecemos menos do que isso.

Vale também ressaltar a curiosidade com que assistimos as campanhas explícitas feitas pelas organizações Globo e Folha contra os Bolsonaros. Talvez para o grande público certos detalhes passem despercebidos. Mas promover uma campanha intensa e diária contra o Flávio, composta muitas vezes por manchetes especulativas, quando o mundo explode com outros assuntos é de causar alguma surpresa. Surpresa esta que perde intensidade quando lembramos as declarações do presidente de que estas mesmas empresas jornalísticas terão suas dívidas e contratos de publicidade revisados. Como o grupo Globo sempre foi governista, medir força agora para depois negociar…

Campanhas de difamação à parte, imprescindível levar estas investigações até a sua conclusão, bem como de todos os outros citados pelo Coaf. Independente do desfecho final, o governo do Jair deve blindar-se contra todo este processo, pois efetivamente não tem absolutamente nada a ver com eventuais atos cometidos por um deputado estadual nos anos anteriores.

Fez muito bem o Presidente ao declarar ainda em Davos: “Se por ventura ele vier a errar, se for comprovado, eu lamento como pai, mas ele vai pagar aí o preço dessas ações que não podemos coadunar”. Sim, é isso mesmo. É por aí! Entretanto, exatamente o contrário fez Lula, na ocasião, ao ser indagado sobre o meteórico e suspeitíssimo crescimento patrimonial do seu filho Lulinha: “Que culpa tenho se meu filho é o Ronaldinho dos Negócios?”

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Como a realidade tem sido muito mais dramática que a própria arte, junto a tudo isso Maduro põe o pé esquerdo (nos dois sentidos) no bonde que o levará para o fim da sua história. Uma vez que Rússia e China meteram o bedelho, esse bonde andará mais lentamente sobre os trilhos de sua tirania. Mas não há dúvida de que já partiu de sua penúltima estação. Na última, descerá de vez da ditadura construída por Chaves. Que, diferentemente da barragem de Brumadinho, soterrou dia a dia e durante longos anos o povo venezuelano, sob camadas de bolivarianismo, petismo e Odebrecht.

Por décadas a ditadura de Fidel Castro foi endeusada por parte da sociedade, praticamente a mesma que acusou o candidato Bolsonaro, o pai, de fascista e homofóbico. Não por atos praticados, mas por frases de efeito, algumas grotescas, em época de eleição. Curioso é lembrar que o patriarca da ditadura comunista cubana era declaradamente contra os homossexuais. Como também é Putin, que manifestou apoio ao ditador Maduro.

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Estamos diante de dois dilemas. O primeiro é definir se cada um continuará com os seus políticos corruptos e ditadores de estimação. Ou se entenderá que não basta torcer para que a nossa Democracia amadureça. Mas efetivamente saber que precisamos amadurecer juntos como cidadãos. E compreender que o desenvolvimento de um espírito crítico desamarrado de preferências ideológicas e o afastamento de salvadores da pátria são condições necessárias para construirmos uma nova Nação.

O segundo dilema é decidir se continuaremos como um país da impunidade e privilégios, amparados pelo arcaico garantismo de parte do STF, ou se partiremos para a completa, célere e implacável punição dos criminosos, doa a quem doer. Se cada qual continuar defendendo o seu bandido e partido de estimação, correremos o risco de sermos soterrados por uma de nossas mais impiedosas deficiências sociais: a cegueira ideológica.

 

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4 comentários

  1. Ótimo texto!! Estou otimista, apesar dos pesares!
    Ter toda uma mídia contra é bastante complicado, mas vai dar certo, tem que dar! PT nunca mais!’

  2. Mais um texto isento de ideologias.
    Que paguem todos os que forem julgados e condenados, independente do partido e ideologia!!!

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