Carta aberta ao Bolsonaro: “Não basta presidir. É preciso liderar!”

Ricardo V. Malafaia     24/fevereiro/2019

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Há certos momentos na vida de um país que, de tão importantes, deveriam ser decididos por muitos, e após muita reflexão. Um desses momentos é o atual. Mas, contrariando o ideal, não temos tempo a perder.  E este ônus, Presidente Bolsonaro, deverá ser solitário e apenas seu.  Urge uma decisão. Sua e somente sua.

Elegemos um presidente, como manda a Constituição. Mas precisamos mais do que isso. Precisamos de alguém que comande o país de fato, pois os desafios são gigantescos. Então, Capitão, colocará as redes sociais numa caixa, a paternidade na outra e finalmente sentará na cadeira presidencial e exercerá o papel de um verdadeiro líder?

Em 2018, por todos os escândalos políticos produzidos até então, o maior partido do país era o PAPT, partido do antipetismo. Alguns pré-candidatos ao posto máximo até posaram para fotos, mas apenas um dispôs-se a colar a sua no crachá de capitão desta tropa. Seu primeiro ponto!

Durante o período eleitoral, a maioria da população que corria para o seu duro discurso, Presidente, não fazia por identificação umbilical com esse seu personagem. Mas sim por concordar com as suas principais pautas de campanha. E também por compartilhar o mesmo inimigo! Um inimigo que, na visão desta maioria, não poderia criar, pelos quatro anos seguintes, a inédita ponte aérea Curitiba-Brasília.

E nessa toada, Presidente, o senhor foi eleito. Durante esta caminhada, ocorreu o atentado no qual não foi a única vítima. Muitos falam de Marielle até hoje, mas poucos compreendem que atentar contra a integridade física de um candidato ao posto máximo da nação devido à contundência de seus posicionamentos é também vitimar a Democracia. Se criminosos atentaram contra a sua vida, é porque se sentiram ameaçados com a possibilidade de ver seus interesses contrariados. Mas após dar a volta por cima, contestando todos os prognósticos, venceu a disputa. Mais um belo ponto!

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Ao montar o seu ministério, Presidente, entre algumas controvérsias que não ficaram longe de suas promessas de campanha, acertou na mosca ao escolher os seus dois principais nomes: Paulo Guedes e Sergio Moro. Se o Congresso e o STF não enlamearem os esforços destes dois personagens, a marca da sua administração será eternizada na história do país. Um outro ponto? Não, um verdadeiro título, com todos os louvores!

Nas últimas semanas, o seu governo esteve imerso em diversas polêmicas. A maioria delas envolvendo os seus próprios filhos. Outras se limitando ao seu entorno político que, na teoria, deveria dar sustentação à sua administração. Seja por inexperiência ou por vaidade, o fogo amigo tem sido manchete dia sim, dia também. Pode não parecer, mas este tipo de letalidade é maior do aquela causada pelo inimigo. Tiroteio intramuros reduz a moral da sua tropa e infla a do inimigo. Mais do que dispensável, fogo amigo é burrice!

Se for para lavar roupa suja, dirijam-se todos em fila indiana para dentro de casa. E não se esqueçam de fechar as janelas! Mas há um detalhe na formação desta fila do sabão: precisa-se de um líder para conseguir formá-la. Afinal, seus membros conquistaram seu espaço político fazendo barulho. Não será agora que, alçados à Corte pelo voto, submeter-se-ão ao silêncio, à prudência e ao juízo pela livre e espontânea vontade. Uma força maior precisará impor-se. Não basta receber quase 60 milhões de votos para ter autoridade. É preciso saber exercê-la!

É bem verdade que o seu martírio não se limitou ao atentado. Sua aflição continuou por alguns meses, obrigando-o a enfrentar mais duas delicadíssimas cirurgias. Analisando as suas imagens durante a recuperação após a facada, percebe-se que temeu pela própria vida. O que é natural. E talvez, por ter acusado o golpe, a hesitação percebida nestes primeiros dois meses de governo passe pela sua fragilização física e emocional. E talvez, em função desta provisória fragilização, o 02 passou do ponto ao exercer a instintiva proteção de um filho que idolatra o próprio pai.

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De qualquer forma, este doído processo encerrou-se com o seu retorno para casa após a última cirurgia. A partir de agora, a ampulheta está virada. A velocidade com que a areia do tempo cairá será cruelmente implacável. E a quantidade de horas desperdiçadas será inversamente proporcional ao imenso capital político acumulado, democraticamente nas urnas conquistado.

Não precisa conhecer a teoria formulada por Einstein para entender que a relatividade pode explicar que a algazarra decorrente do bate-cabeça promovido pela situação tenderia a desaparecer diante da atuação firme da presidência. Experimente imobilizar as mãos de um maestro por instantes, e verá uma orquestra sinfônica produzir um monte de sons difusos. Verdadeiramente, quanto maior for a qualidade de um líder, maior será a sintonia entre os seus comandados.

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Os quatro anos seguintes exigirão do senhor, Presidente, uma dedicação profunda e uma abnegação que jamais experimentou. Se está ou não à altura da missão não vem mais ao caso. Dedicação e superação estão ao alcance dos que procurarem. Se é um homem de fé, para compensar a falta de eventuais qualidades, peça sabedoria e coragem. Como conta a experiência, grandes feitos estão mais próximos dos determinados!

Liderar é ouvir todos e decidir só. Escutar diferentes opiniões, mais do que importante, é postura essencial. Mas, se tiver que escolher alguém como principal e último conselheiro, que seja experiente, ético, patriota e sensato. Por fim, Presidente, não se permita vitimar-se. O que lhe cabe é liderar. E tenha em mente que uma grande liderança irradia não apenas inspiração mas também segurança.

 

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2 comentários

  1. Sou Servidora pública há 24 anos.
    Sou enfermeira ,trabalho plantão noturno ,faço dupla jornada e tenho contato c diversas bactérias ,e riscos de contaminação.
    Acho muito injusto eu ter q me aposentar com 62 anos p obter o benefício integral,pos já contribui 24 anos p minha aposentadoria.
    Certamente não vou conseguir trabalhar até 62 anos,devido o trabalho exaustivo de enfermagem.
    Peço que olhe com carinho a situação de todos enfermeiros e servidores públicos que perderemos direito de aposentar integralmente.

  2. Suas ponderações lúcidas e objetivas serão certamente de grande auxílio ao Nosso Presidente. Espero que ele apreenda seu conteúdo e faça o mais eficiente uso dele

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