A chama da transformação

Ricardo V. Malafaia     21/abril/2019

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Embora a vida faça parte de um todo, ela difere-se do restante num aspecto fundamental. Após um grande incêndio devastar uma floresta inteira, com o tempo ela refar-se-á por completo, tão certo como o dia. Assim é a natureza. Assim é o Universo, lento e cíclico. E o todo poderá regenerar-se. Mas a vida definitivamente não, pois ela é finita, única e muito frágil, tal qual um simples sopro. E para os de fé, deste sopro, há Quem seja o seu autor!

A escassez é mais um traço desta vida. Afinal, com todas as descobertas proporcionadas pelas tecnologias até aqui desenvolvidas, a vida em todo o Universo está limitada, por enquanto, ao nosso ínfimo planeta. Então ficamos assim: a vida é efêmera, tênue e extremamente rara. Se algum alquimista transformasse-a num metal precioso, em qualquer lugar do Cosmos o seu valor seria incalculável!

A partir disto, fica a pergunta: por que a vida sempre foi tratada com tanto desprezo pela própria humanidade? Não importa a época, nem a classe social, nem a raça e nem o tom do espectro ideológico. A vida foi e continua sendo ameaçada e agredida, no atacado e no varejo.

Lutar pela liberação do porte de arma, pela naturalização do aborto, pela legalização de drogas, pela colocação de obstáculos para a entrada de refugiados, além de fechar os olhos para o uso político da pobreza, de um lado, e de manter-se insensível às péssimas condições básicas oferecidas a muitos, do outro, são algumas das faces mais cruéis apresentadas por esta mesma humanidade da qual fazemos parte.

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Um único sopro! Pronto. A vida se foi! Diante do calendário cósmico ela não é nada. Mas ao mesmo tempo ela é tudo. Pois um Cosmos sem vida é como uma cidade fantasma. Não há razão de ser, nem de existir. Verdadeiramente a vida não é nada e é tudo ao mesmo tempo! Um mistério que, por mais ingenuamente que se tente, excederá a capacidade que a Ciência terá para solucioná-lo em qualquer era.

Imaginemos um diálogo entre um anjo e um indivíduo antes do seu nascimento. E o anjo diz: “Olha, daqui a pouco vais nascer. Mas preciso fazer-te um lembrete: terás apenas uma única chance. Faze então de tua vida o melhor que puderes”. “Nossa! Posso anotar isso?”, pergunta o indivíduo. E o anjo prontamente abre o jogo: “Infelizmente não. De fato só se darás conta disto no final de tua vida. Só comentei com ti por teimosia minha. Mas de nada te adiantarás meu alerta. Tolamente caminharás ao longo dos anos como se tivesses outras chances”! E os dois se despedem.

Na verdade, é o que acontece com a esmagadora maioria de nós. Conduzimos a nossa própria vida como se jogássemos num longo primeiro tempo. E num eventual segundo, poderíamos consertar então o que precisasse ser corrigido. Tolice. Para todos nós, não há segundo tempo. Só o primeiro, sem acréscimo e bem curto. Extremamente curto.

Os mais lúcidos, porém, preocupam-se em evoluir. Não apenas como profissionais, mas sobretudo como seres humanos. E essa evolução faz um bem enorme ao redor de cada um. Os que são mais caros àqueles que buscam uma evolução são exatamente os que mais se beneficiam desta decisão. De fato, o Universo tem algumas leis. E uma delas é que, para o bem contagiar, basta que ele se faça!

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Contudo se quiser mudar mais do que o seu entorno, não evolua apenas. Faça mais do que isto. Transforme-se! Na verdade, o poder da transformação de apenas uma única pessoa tem um peso inimaginável sobre a coletividade. Há fartos exemplos na História que apontam nesta mesma direção. Se muitos entendessem isso, o mundo poderia ser definitivamente melhorado.

O ditado que diz “A palavra convence, mas o exemplo arrasta” dá, de forma resumida, uma noção do poder da transformação de um indivíduo. E para ter força, esta transformação precisa ser pura, cristalina, autêntica, descompromissada e vir de dentro para fora. Precisa necessariamente, também, estar pautada pelo amor. Um amor sincero e sem outro interesse que não seja promover o bem do próximo.

A Páscoa é Ressurreição. E renovação, que se comemora todo ano. Sempre foi e sempre assim será. Não é difícil compreender que esta época também traz uma mensagem que o tempo para transformar-se é qualquer tempo. Se tiver 90 anos de idade, 60, 40 ou 20, não importa. A verdadeira decisão por uma transformação não conhecerá barreiras. Pois o que determina uma grande mudança não é o tamanho do impedimento, mas a dimensão da própria determinação.

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Um mundo onde qualquer artista que diz bobagens arremata milhares ou milhões de seguidores, de fato, pede ajuda. E essa ajuda deve vir de pessoas simples e comuns que decidem transformar a si próprios e depois tantos quanto puderem. O mundo clama por valores. E por bons e verdadeiros exemplos que arrastarão. Preocupar-se verdadeiramente com o próximo, seu irmão, é compreender de fato por que Ele nos colocou aqui. O resto? Não tem valor! A chama da transformação estará acesa para todos, por um curtíssimo espaço de tempo. Na verdade, enquanto o sopro durar!

 

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