Alguém viu a sensatez por aí?

Ricardo V. Malafaia     30/junho/2019

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Se o leitor for alguém com posições muito radicais, independentemente de que lado ideológico esteja, vai aqui um aviso: não continue a leitura! Afinal, vivemos num mundo intolerante, onde a discordância tornou-se o cais para despedidas. No jogo da vida moderna, a impaciência tem vencido de sete a um a negociação, pois a sensatez foi desconvocada faz tempo. Bom, aviso dado, vamos em frente!

Até aqui, há aqueles quem veem o governo Bolsonaro acertando em tudo. E há aqueles que enxergam somente uma sequência de desastres. Difícil é encontrar outra turma mais isenta, que percebe acertos importantes e alguns erros consideráveis.

Pode-se falar tudo sobre o capitão, mas decididamente ele procura cumprir cada promessa de campanha. Iniciou o seu mandato tocando os projetos da reforma da Previdência e anticrime. E aboliu o “toma lá da cá” com o Congresso, apesar de todo o custo político. Por si só, estes três pontos fundamentais já representam uma inflexão importante. E, convenhamos, ninguém até aqui teve peito e disposição para tal. Ou é mentira?

Outra promessa de campanha era o desejo de armar a população. Realmente, uma vez prometido, Bolsonaro não tem outra alternativa política a não ser tocá-la em frente. Contudo devemos torcer para que o Parlamento tenha juízo e aprove apenas medidas aceitáveis, como, por exemplo, a liberação da posse de arma em toda a extensão da propriedade rural. Outras liberações como o porte de arma em centro urbano seria como acionar uma bomba relógio. A sua explosão seria meramente uma questão de tempo. Pena o lobby da bala não se explodir em seu lugar.

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O tema ambiental é um assunto polêmico, embora não precisasse ser. De um lado, é necessário reconhecer que a proteção ambiental é ponto de partida para o nosso desenvolvimento. É preciso ser muito alienado para não perceber que, cada vez mais, convivemos com situações extremas em todos os cantos do planeta. Ignorar o que acontece hoje diante de nossos olhos é legar às próximas gerações um planeta inóspito e sombrio.

Entretanto, por outro lado, com o crescimento inexorável da população mundial, a produção de alimentos precisará crescer mais de 50% até 2050. Com toda a força que os produtores americanos detêm, os EUA já se colocam como a solução para essa equação. Mas adivinhem qual o país ameaça este projeto ianque? Sim, o nosso Brasil com o seu avançado setor agrícola.

Ora, na verdade, a grande maioria das ONG’s estrangeiras, há exceções naturalmente, que por aqui se instalaram têm três objetivos nocivos aos nossos interesses. E um deles é justamente promover a redução de nossas terras agricultáveis. Quanto maior for essa redução aqui, maior será a fatia do novo mercado que lá os produtores americanos terão. Simples assim!

Outro objetivo, e mais antigo, tem sido roubar e transferir recursos de nossa biodiversidade para os grandes laboratórios farmacêuticos. Há décadas, a biopirataria na região amazônica é uma triste realidade, em grande parte, exatamente por causa destas organizações criminosas travestidas de governamentais.

E o terceiro objetivo, e mais criminoso, foi juntar-se à Esquerda brasileira, inconsequente e irresponsável, para embaralhar o debate da demarcação das terras indígenas. Etapa cumprida, lançar as bases para uma discussão futura sobre a efetiva internacionalização destas áreas. Surpreendentemente, as grandes extensões de terras indígenas demarcadas localizam-se justamente sobre grandes reservas de recursos minerais. Olhem que coincidência!

Sem dúvida, o Ministério da Agricultura não é o melhor órgão para conduzir a tarefa de demarcação. Mas manter essa política como tem sido até agora é contribuir para que, em algumas décadas, o mapa do Brasil tenha outro desenho. Incrível não é entender por que tantos brasileiros desconhecem esse risco que efetivamente corremos. Incrível é saber que a Esquerda sempre soube disso e nada fez.  Pior, que apoiou. Um dos maiores crimes de lesa-pátria que o país já assistiu em duzentos anos.

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Outro Ministério que está fora de lugar é o da Educação. Como pauta de campanha, o combate à doutrinação ideológica marxista deve ser realmente tocado em frente. Aqueles que acreditam que esta doutrinação nunca existiu, ou usam de má fé ou de ingenuidade. Ela existe, não se esconde, é real e perigosa. Mas o remédio ideal não é calar os professores, mas difundir de forma eficaz nas escolas e universidades o verdadeiro valor da pluralidade de ideias. Contudo mais importante do que tudo isso é dar um imenso e definitivo salto na qualidade do ensino. Menos do que isso é nada!

Neste domingo, uma parcela considerável da população foi novamente às ruas para apoiar Moro e a Lava Jato. Não compreender a importância deste personagem e desta Força Tarefa é tripudiar sobre toda riqueza nacional que já drenou na direção das organizações criminosas.

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A volúpia com que muitos se voltaram contra Moro após a divulgação das mensagens é desproporcional à indignação manifestada por esta mesma parcela quando a roubalheira do PT foi denunciada. Por ironia, o trabalho que o atual ministro desempenhará nos próximos três anos e meio dará frutos a todos, inclusive àqueles que hoje injustamente o condenam. A vida é assim!

Menos mal que o trapalhão Greenwald, neste final de semana, enrolou-se ao publicar novas mensagens. Publicou, editou e depois apagou nomes e datas da parte que afirmava ter sido copiada na íntegra. Depois deste episódio, mais nada dos 10 zilhões de páginas que estas figuras teriam em mãos fará algum efeito. Antecipadamente, tudo virou fumaça! Puff!

Mais importante do que se posicionar política ou ideologicamente é não permitir que o bom senso escape. A sociedade deve caminhar por estradas que a levem a um porto seguro. Lugar que precisa estar ao abrigo de ventanias e tempestades vindas de terras onde o radicalismo e a intolerância costumam cegar os seus moradores!

 

  • Todo domingo à noite um novo artigo. Acesse a homepage digitando “aonde vamos sociedade”.

5 comentários

  1. Mais uma vez uma análise com toque pontual em questões polêmicas, fazendo-me lembrar a época do Mercantilismo e suas Potencias. Essas ONGs hoje lembram os Corsários do passado que trabalhavam clandestinamente para suas coroas, travestidos de Piratas. A essência da humanidade não muda, ambição é o lema. Parabéns.

  2. Ricardo, mais uma excelente análise sua da atual conjuntura nacional. Não há dúvida que o radicalismo cega e inibe o raciocínio. E essa matiz radical prejudica muito a tentativa de soerguer o Brasil. Sensatez é fundamental!

  3. Ricardo,
    A análise que você faz da situação que vivemos é perfeita.
    Suas observações e ponderações, pautadas no bom senso e moderação, nos levam à certeza de que podemos construir um Brasil melhor.
    Parabéns!!!

  4. Seus artigos sempre apresentam uma visão da realidade do país. Um retrato da situação política e social , narrando com isenção e inteligência as verdades sem retoques

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